domingo, 15 de janeiro de 2017

a senda linda

Abraça-me como o frio
essa luz estranha e sublime
estranha para o corpo
e seu inquilino

e quando amanhece
percebo que as vozes 
dos meus sonhos
efluíram dos sons comuns

um eco de ar deslocado
pelos carros
pode virar a voz de
um grande tenor
a cantar óperas ou madrigais
que falam dos trigos e das flores
dos jardins das casas


todos os sons
querem se fantasiar
nos meus sonhos

mas como eu os percebo
se estou a dormir(?)

coisas de mago
esses insones magos
cujo sono não passa
de meditação

certamente há magos
que nunca comeram o
melado da matéria

e uma vez milionários
entregam-se ao sedentarismo
na fofura dos apartamentos
entre "amigos" taças e fumo 

então sua única preocupação
é eternizar a fama
engordar o c(p)orco
acabam morrendo 
de tédio com a boca cheia de dentes

seu primeiro erro (:)
morar com a mulher

desde o paraíso
que a mulher 
mata mago todo dia
e soterra centelhas 
mais do que Herodes

adeus Yashodhara
adeus(!)

supoe-se que mora
com a mulher
porque já voltou
da floresta e
já atingiu(...)

Ah esse alvo maldito(!)
se digo que sou
não sou
se digo que subi
eu caio

cai na lama
quem se acha um "lama"
cresce a pança
quem se pensa um buda

o sábio esquece o alvo
e seu alvo passa a ser 
o próprio caminho

com a amada
não há saudade
sem a saudade
não subsiste o amor

o sábio nunca chega
a lugar algum

"antes da iluminação(:)
caminhar sobre as cores dos cascalhos
depois da iluminação(:)
           caminhar sobre as cores dos cascalhos"


.



Nenhum comentário:

Postar um comentário