domingo, 15 de janeiro de 2017

cor incerta


Vi os olhos
vi o lago no
avesso da mata
vi cores que mudam
nos seus olhos

são tantas buscas
que os galhos caem quebradiços
e no ano seguinte
brotam na cor do seu lençol

vi torres e vi gárgulas comendo gente
vi que a água tão fria da fonte
sempre vira pingentes

vi rios de prata do lado de lá
e um velho no espelho
querendo descanso na terra do espanto
muitos palácios quando a alma retorna
como um relâmpago para as costelas
há pórticos dourados numa visão da janela
eu não consigo saber se lhe vi
se lhe perdi num pesadelo

e fui com elas num barco sem remo onde estava o tesouro
do silêncio e do ouro mas os ossos não falam
e a peanha que sustenta esta estátua de cabelos merovíngios cobertos de zinabre
deve esconder o seu laço de fita real
esta carranca muita água me prometeu

mas não se esqueça /olhe as flores
de quaisquer canteiros/quando você caminhar

quando as vir pense em mim gritando em pensamento (:)
oh flores
oh flores
oh flores (!!!)
a chuva já conheceu as entranhas
e os canos quentes das paredes

eu sou este molde de cera perdida
sem o qual os detalhes se perdem na vida
sem poder amar

eu sou um homem sem norte e sem senhas
cujo cálice propende
ao brinde no leito de gardênias

há no amor os olhos de um mar








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