sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

milho fácil


Dou flores aos mortos
e aos amores

crio galinhas e gansos
que são exímios devoradores
das cobras aranhas e escorpiões 

instintivamente
eu chupo e cuspo
o sangue da ferida de cobra
do membro do filho
num ermo lugar

confiando no poder
benéfico do álcool
fumo barro e raízes

deixo marmitex cancerígeno
ao lado dos
moradores 
das marquises
derrotados pelo álcool 
pelo fumo e pelo mangue da vida

digo horrores
quando não consigo
no verso falar de amores

repito rimas
sem que ninguém 
se dê conta

engano os melhores pastores
com o satânico
dom dos piores atores

pesco o meu peixe
escavando a margem do rio

pinto o que sinto
quando não tenho onde 
pôr o pinto

e logo prendo a galinha
pra ela chocar outros 

esqueço o amendoim
no fogo e logo
fica amargoso

jogo fora 
e vêm os anjos
alados e catam
a sujeira tanta

amo as galinhas
que  programam
fazer universidade

ajudo quem precisa
por puro prazer

compro o céu
fazendo o bem
venço na vida
por causa dos
vizinhos

viro o buda
de costas
porque sou burro demais 
para meditar

pago o dízimo
limpando
titica de galinha

vendo o ovo
e compro a ração
ou faço do ovo
nascer a galinha

por ser tão sem graça
sempre arrisco uma piadinha cínica

mas sou banido
do meio dos "homens sérios"
e assumo ser o frangote russelliano
(antes de ter o pescoço torcido)






                          /////////////////////








Nenhum comentário:

Postar um comentário