quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

o TAL do Amor


A grande cruz é na verdade
este corpo fustigado
ameaçado pela morte

é por isso
que eu reverto o verso
ao âmago
ossos são doze
doze pares

o décimo terceiro
é o tau* do osso
esterno no peito
dos homens que
suspiram e choram

o tau do osso
que é o centro da cruz
é na verdade a mesa
para a ceia dos doze

tomam lugar de honra
os sete casais
de costelas verdadeiras

sem honras tomam lugar
à mesa os três casais
de costelas falsas

aquelas porém 
"flutuantes"
ficarão de pé

não obstante a mesa
também é falsa
falsa porque é
o relicário que 
durante a ceia
protege o céltico caldeirão
ou cálice de vinho
é a caixa que
protege o sagrado coração

pode ser uma mulher
em cujo útero
repousa o filho

de qualquer forma
o filho
o sangue ou o vinho
são em verdade o caminho

é por isso que ao lado 
da pequena 
cruz do tau
havia dois ladrões
chamam-se pulmões

são eles que roubam o ar puro
para o sangue contido no graal 

ele recebe na respiração
o conhecimento divino
ele recebe o amor perdido

o sangue é o filho
e o filho pródigo
sabe o caminho de casa

ele já percorreu
a via das veias sujas
até voltar ao centro
da cruz

mas não se enganem
a carnificina começa
dentro do relicário
e somente quem

tiver a marca do tau
será poupado
e conhecerá o 
amor verdadeiro


eu tenho por este amor
o carinho mais elevado
pois é a sabedoria virgem e inata

de mãos atadas
com este amor
irei para a glória intacta



                                               ///


Nota:

*O tau no budismo, significa "senda da perfeição".
No cristianismo foi adotado por São Francisco de Assis e Santa clara.
" O Tauísmo é  Filosofia da segunda metade da vida, isto é, a altura exata em que o homem sente, de um modo crescente, vontade de se retirar, libertar-se do mundo, das coisas exteriores, libertar-se de si mesmo, viver com a natureza, para meditar, numa altura em que as suas ambições já foram atingidas ou frustradas; quando existe uma necessidade premente de mudança inadiável, de qualquer espécie; quando questões significativas se tornam importantes e a abertura entre o homem natural e o homem espiritual começa a encerrar-se; quando começa, então, a reintegrar-se a solidariedade que existe entre o homem e o cosmos." 


«Perguntais-me porque permaneço nestas montanhas azuis.
Limito-me a sorrir, simplesmente, não tenho resposta.
Ó, a minha mente encontra-se a descansar.
As flores de pessegueiro e a corrente dos rios passam sem deixar qualquer rasto.
Como tudo isso é diferente do mundo profano».



                                                                                 Li po
                                                                            



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