segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

trancas

Há uma rosa
dentro da garrafa
ela enraizou-se no mapa

há sons 
que me chamam
sombras que me estimam
silêncios que exprimem 
e espinhos que se espremem

há esqueletos
dentro dos corpos dos amantes
há sangue como num copo
e há velas amarelas de citronela
que espantam o mal
(ou há cera vermelha derretida
sobre um sapo)

há corações bons que nunca se afastam
como também há
seres abjetos que atraem
o que devoram

eles têm indigestão
e terão seus vômitos
para o próximo prato

o amor é um carma
magnético
mas há amores sem
dívidas espalhados

não existe uma
só alma gêmea
há degraus com olhares
e cauda de pavão

que culpa  tem a escada
se alguém a usa
para descer ou para subir(?)

assim são os amores
com os quais nos deparamos
não importa se
com eles temos dívidas
ou créditos
ou nada enfim

não importa se são filhos
se são amantes
se amigos

são todos degraus
onde brotam flores acetinadas

cabe a nós destinar
as flores colhidas
ao ofurô com a fragrância essencial
ou ao retardatário féretro
com seu fedor

se haveremos de
subir ou descer
através destes (...)
então é conosco (a ação)

há um amor
te esperando
para a libertação

há um gesto
há uma consequência
há entre teus dedos trêmulos
a chave de uma prisão



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