quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

visgo


A composição da teia
aleatória
se confunde com
a concepção do
amor sonhado
sem a maca
da insegurança
e a glicose da
desconfiança

sentindo que o sono
chega sem pedir
permissão
a seda enche
o côncavo das
pálpebras de
crônica solidão

encontro coisas
esquecidas
ao revirar as caixas
de luzes espontâneas

os amores
que não tive
de alguma forma
estavam destinados
a não serem meus

empalidece o vidro
da luminária
quando busco
lembranças

o olhar perdido na luz
valsando na arandela
me deixa confuso
como as moléculas líquidas
(do próprio vidro)
que tentam se equilibrar

fechando
os olhos
vejo um "fosfeno"
com os traços do seu rosto

e sempre tive
arrepios de medo
dessa felicidade
tão azul tendendo ao roxo

eu observo o mundo
das feras
crocodilos que arrancam patas
de zebras ou rasgam as trombas dos elefantes
leões comendo búfalos vivos
ah não me admiro
por serem os humanos tão
ignorantes

mas quem pode
entender os desígnios
da existência

da estranha matéria
dos fungos
eu fui feito
e não sendo
animal nem vegetal
me isento de
opinar sobre
tal dicotomia

se sou parte desta teia
abobadada
talvez eu seja
o rastro da aranha

a parte que
dá o visgo
e aprisiona
o fruto gelatinoso de seu
ventre transcendente

se sou parte da terra
talvez eu seja
a força da gravidade
atraindo toda sorte de desgostos
quando só queria
atrair o amor
de quem se sente
um ente oco sem o eco
do meu clamor



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