quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

o segredo dos bosques


As flores sonolentas
dizem coisas
que somente
as borboletas e abelhas
da Europa entendem 

e cochicham
as cochonilas
para as formigas
da Amazônia
coisas doces
a meu respeito

e o amor ingênuo
crê em todos
os rumores do jardim
e da floresta

o amor ingênuo
sabe onde os 
potes de mel
foram escondidos 

e as folhas secas
das fotografias
empalidecidas pelo inverno
revelam onde
estão os pergaminhos 
que guardam todos os meus desejos

diz o poema dos sonhos
que nosso bosque
é tecido de luz

diz o esperto colibri
que o beijo do poeta
busca a essência
que brilha nos teus lábios

resmunga a relva
que nossos corpos
deviam se achegar

ali não podemos ser feridos
ali as cobras são hologramas
mas tudo existe em beleza
luz 
exuberância
perfume e nuances

o Sol aquece e protege
apesar do gelo aparente
na ponta das coníferas

a pobre gota de orvalho 
ao tentar plagiar
a cor linda dos teus olhos

furta todas as cores
do arco-íris gelatinoso

menos é claro a cor 
indescritível do céu do oriente

pois nos meus sonhos
todo arco-íris
dilui-se em crepúsculo
e tomba qual névoa sobre
as montanhas

nos meus sonhos
tudo que sobe desce
tudo que abraça
pode também beijar
e tudo que chora
recupera alegria

e todo tesouro pode
a face de espanto iluminar

pois o maior espanto
no vale dos meus sonhos
não é todo este encanto
espraiado na Carélia

mas sim o amor
generoso que roreja
dos teus poros arrepiados
e da alegria 
do semblante 

e da paixão que goteja do
brilho e maciez dos teus cabelos
ou da ingenuidade
do teu jeito de correr 
em todo lugar enfim

este amor
sempre enche o cálice
de meu coração
e festejo da maneira
mais juvenil e pagã
meus pequenos frascos
de colher amoras e cranberry


e no delírio desta
turvação
que me transporta
ao prazer setentrional


provavelmente  sempre competente 
para salvar a minha alma
tristonha que clama espera e reclama
pela tua leveza de espírito

resgato
o deslumbramento 
único capaz de dar sentido
à minha existência tecida
tão somente de solidão e dor

resgato 
enfim toda fantasia
com direito a palácios
labirintos de flores

as cercas verdes com arcos
e campânulas de vidros
ah(!) eu resgato sobejamente a magia
desse grande amor





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