segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

primitivo

Meu tipo de morte
é baseado na água
que desvia-se de
qualquer coisa que queira aparecer

há muitas grotas
que acolhem águas claras
há também uma postura
de simplicidade que 
mantém-me em paz

a água está sempre buscando
os lugares onde
ninguém quer estar

a luta das pessoas
é pelos cumes
pela glória

e para isso
cronistas contam
histórias mentirosas
para isso as igrejas
mostram suas garras
por detrás dos mantos

para isso
roubam
mentem escravizam
humilham
maltratam

e eu confesso
que prefiro a morte
do que viver assim

países que tanto roubaram
mataram e conquistaram pelo
enxofre da pólvora
hoje tão ricos
erguem muralhas

se este mundo
fosse lugar de JUSTIÇA
tudo seria diferente
e não haveria fome
nem miséria

quero estar fora de tudo isto
quero ser como a água
em fuga para os recônditos
sombrios

o meu tipo de morte
é viver com o mínimo
posso fazer meu próprio caneco de argila

posso plantar minhas verduras e frutas
posso recolher água do poço
posso viver sem me envolver

pois a glória
que todos
desejam 
eu não quero

prefiro o olhar sincero
de amizade
da minha pequena cadela

prefiro a companhia calma
dos meus gatos
e a única música que desejo ouvir
é o canto dos pássaros

e quando falo de um
amor utópico eu quase desmaio de dúvidas
não me interessa mais os 
desabafos sexuais
dos que vivem no inferno

do amor eu só quero a pureza
do olhar
a paz que me acalma
e uma mente simples
capaz de compreender 
este meu modo primitivo
de viver









.

Nenhum comentário:

Postar um comentário