terça-feira, 28 de março de 2017

borboletas vampíricas

Meu corpo
estava coberto
de borboletas
madrileniais
que sugavam
meu sangue

talvez eu de fato
estivesse morto
não havia nisso
rumor poético

eu podia entender
dela o nobre esforço
para se manter
longe de toda
poesia

eu
nessas horas mórbidas
deixara entrar
o tempo que
esmerila o amor

quero dizer
num acetoso grito
sem películas
de filosofias

que apesar da ferrugem
na superfície
o amor que sinto
é metal maciço

um dia ela dirá
eu sou a voz
de todos
os seus desejos
e tocarão flautins
de caniços
os sátiros do
seu jardim

quando certo
estou errado
quando errado
estou certo

cinzas hoje
eu não ousei
transpor os
obstáculos
recolhida
no centro do ciclone
e sem muita paciência
você partiu

se a brisa com
sereno
que maltrata
os ouvidos
pudesse
sussurrava

perdão
perdão

só não sei pra onde
nunca soube ao certo
de onde você veio

talvez de um
conto infantil
de bruxas ou
de insetos

eu nunca soube
ao certo
para onde
eu deveria ir

me acerquei tanto
só de palavras
que não pronunciei
as vogais mágicas

não me transportei
em pele
para o seu sonho
ou delírio infanto
no calor de sua febre
pelo amor verdadeiro
lendário e equestre

e nesta fadiga
de quem merece morrer
eu me ferro
no remorso
de não lhe ter

viver assim
é vida trágica
é como
ver um moinho girar
sem que um só grão
caia na mó

é morrer como
um gato
esquecido
dentro do apartamento

de quem partiu pra Paris
ou pra qualquer lugar
mas creia amor
impaciente

assim devo morrer
com cirandas  de borboletas
vampíricas a me revoar
ou o sangue me sugando
eu juro que de mim
não tenho dó

ai que pena
linda pequena(!)
eu sinto tanto(!)

"au revoir"




Nenhum comentário:

Postar um comentário