quinta-feira, 9 de março de 2017

ladainha do medo

O que na vida
não é lição de subtração
é contradição

vez por outra
um poeta toca levemente
na palavra "medo"

mas logo
a deixa de lado
e os leitores
dão alívios
por deixarem-na
com o pó rubro
da estrada

dir-lhe-ei
"dir-lhe-hei"
sim hei-de dizer-lhe
o que o medo é
pois o que ele não é
eu não posso dizer-lhe

ah essa minha tmese (!)
há momentos em que eu perco
a minha timidez
e o medo de errar

de tanto errar
já perdi o medo
por isso não tenho medo
de falar do medo

mas se a minha vida
é só medo
nem preciso
discorrer sobre o dito

há tantos papais-noéis
aqui nos trópicos
que de casacão infartam
infartados de leitoa assada

o que na vida
não é lição de subtração
é contradição

quem se escondeu
se escondeu
quem não se escondeu
lá vou eu
será o Benedito (?)

Cadolle
Cadolle
tu que tiveste
a coragem
de cortar
ao meio
o esparrrrr...
tilho
és a verdadeira
criadora do "soutien-gorge"

não foste menos esperta
que certa americana
que o patenteara
porque a louca
vendeu tal patente
a peso de palha

que louca
que mula
que mula-louca(!)

lembrei disso
porque quando
me escondi
ao lado da geladeira vi dois
candidatos a estilingue

um do tipo"peito de pombo" e
outro tipo "meia-taça"
secando por detrás

eram dois
ou eram quatro
são óculos
são calças
são costas

bom
se for do mar
é costa
se for amar
é bom beijar as costas

neste caso
se for calças
tem umas alcinhas
onde (pra ela não se abaixar)
se enfia o
cinto


se for calcinha
é só abaixar
onde se enfia (...)
melhor falar dos óculos
eis porque eu detesto rimas

são óculos
aqueles que você tira
para dar o ósculo
um caso de "pluralia tantum"

na boca ou nos olhos (?)
no olho
pois você só tem uma boca
(beija um de cada vez)

ou na boca ora(!)
tem gente que beija
a mesma boca que ora
e comete pecado oral
naquela hora

voltando ao assunto
dos "soutiens"
é plural porque
eu vi dois sutiãs
(e é sutil porque
é dual)

quando se brinca
de esconde-esconde
acha-se muita
coisa escondida

um dia eu me escondi
detrás do armário cinquentinha
e ouvi os gemidos dentro dele
do Mário sem ar pra respirar
fui abrir a porta pra ele
não desmaiar

mas minha tia
me mandou
ir brincar no quintal
só depois que eu cresci
entendi que
se o Mário saísse
do armário
aí sim ele morreria
(o Mário era o amante da tia Maria)

ela estava
morrendo de medo
mas parecia impávida
e confiante

então pense bem
esses
que nos parecem
super-heróis
não possuem a coragem do Superman
que veste a cueca por cima da calça
eles só andam de gravata
porque só querem o
seu dinheiro

na verdade
estão perdidos
e morrendo de medo

quando a criança tem medo
ela diz
pai pai
me ajuda pai

e não importa a nossa idade
no fundo
no fundo
somos todos crianças

brincando de
esconder o
que realmente somos
e sentimos

caso o último a ser encontrado
voltar correndo ao pique e bater
este poderá salvar o mundo  “¿”
salvar os que não se esconderam bem
por detrás das máscaras

o que na vida
não é lição de subtração
é contradição





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