sábado, 11 de março de 2017

o canto da baleia

Os meus olhos
direcionados
para o céu

buscam vida
fora de mim

percebo que uma nuvem
desajeitada e pequena
deixa-nos a todos nas trevas
ao interpor-se
entre nós e a lua cheia

é aí que percebo também
que não há seres sem
destinos e insignificantes neste mundo

na verdade
o destino é tudo
ah se o peixe soubesse
quão grande é o mar(!)

mas para ele o mar
termina no coral

assim somos nós
com a luta por 
conquistas materiais

pensamos que tudo se resume
no carro que se quer ter
na beleza da mulher produzida
ou na igreja e seus escolhidos

mas a beleza é uma faca
de dois gumes
porque para Deus todas
as coisas são igualmente belas

e quando se vê
com o olhar divino
vemos que não existe feiume

o feiume é só a sujeira
grudada nos olhos
de nossa mente

e o julgamento
é apenas um jeito fácil
de desviar o olhar
de nós mesmos

a oração em público
assemelha-se
à poesia do poeta medíocre
que só pensa em medalhas

a oração verdadeira
é como o canto da baleia
que rasga o fundo do mar
em busca do infinito





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