quinta-feira, 27 de abril de 2017

contrastante


Lá fora chove(.) 
Uiva
o vento abrutado
que unha 
arranha e lixa a porta
insistindo para entrar

cá dentro a
a chama de uma vela acesa
com preguiça de bailar

espíritos musculares
famélicos e sedentos
de migalhas amorosas
rondam os meus varais

enquanto desfruto
aquele sentimento intimista
de quem oferece a mão 
espalha aromas
com a delicadeza
de quem pinta rosas
abusando das cores


e neste conceito
irresistível de
penetrar sutilmente
cada vez mais no cômodo do coração
envolve-me 
a bruma inebriante de Morfeu

e finalmente
quando a vela
se rende abruptamente

(quem diria)
rolam outeiro abaixo
as caveiras e olhos engessados
as espinhas de serpentes
todos os rancores sujos de cal

a treva faz-se luz
e dos polens espalhado
desenha-se uma face régia
cuja aura 
divide-se entre
um sorriso
e o inevitável singulto
da realização



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