segunda-feira, 3 de abril de 2017

do julgamento


No princípio
havia muitos
"amigos"
elogios
esquadrinhavam
meus pensamentos
em prosa
como aquele que esquadrinha
a própria colina
da relação perfeita
com riachos
pencas de hortênsias
passarinhos
inventando trinados
carinhos em busca de ninhos

um dia resolvi
não mais cortar
flores para lhes dar
em buquês

porque as mesmas
flores eles as tinham
na margem do caminho
mas não conseguiam vê-las

ao invés disso
comecei a juntar
esterco de gado
o qual lançava
por onde andávamos
(para as minhocas)

e pensavam
em suas casas
"ele não nos dá mais buquês
que duram três ou quatro dias
agora ele lança estrume na
margem de nosso caminho"

mas à medida
em que eu fui
compreendendo
que ninguém age
por vontade própria
fui perdoando
a todos os que
perplexos me abandonaram

porque riam ou choravam
ou desapareciam
não porque queriam
mas porque desconheciam
a causa do movimento
e do repouso

assim são facilmente manipulados
pelas imagens que se lhes impõe

se eu o quero perto
coloco o crucifixo
que lhe agrada

se o quero longe
apenas  viro o mesmo
de ponta-cabeça
isto basta para que sua
paixão raciocine
que eu sou contra
aquilo que você
acredita e
que lhe dá segurança

e tudo que ameaça
sua proteção
é tido como opositor
em seguida como
o próprio mal

em verdade
a imagem não diz nada
há demônio no altar da
ostentação brincando
de ser o rei Salomão
e há santos de barbas despojadas
em cavernas com morcegos
que mais parecem gárgulas

nunca se esqueça
que o esterco
que espalhei
para os vermes

fez florir as suas veredas





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