segunda-feira, 24 de abril de 2017

flores silvestres


para o divertimento
do tempo e da vida
que não é mais
que um momento
levarei flores da selva
desidratadas que marcam
poemas em folhas encardidas

e quando você
souber que já não
preciso do ar
traga-me flores frescas
talvez o azul da flor
"amor-em-uma-névoa"

já nos momentos em que
a saudade vier
riscar lodos no
alto das cornijas
no umbral da eternidade

seus cabelos fortes
devem cobrir
sua nuca para que
eu resista beijá-la
já que despido
da tenra carne
tornara-me só alma

haverá quem duvide
do vermelho vivo
da capuchinha
ou do azul inconcebível
dessas pequenas
nigelas e não tarda
duvidarão do meu amor
na primavera e em
outras estações

importa saber que
foi culpa da morte
anjo cujo manto é luto
que delicadamente
tomou-me pela
mão direita
que não deu-me escolhas
quando o infinito
rasgou seu grito
aos confins das estrelas pulsares

haverá algum pombo
na janela do seu sobrado
seus olhos
baixos cujos
sonhos isola
isolará
os versos
do frio lá de fora


caso o desespero
lhe convencer
que meus ossos
se congelaram

ria-se
pois
ria por nós dois

Ah quanto engano
nas dobras
dessa infame saudade
louca
insana(!)


não sabe (?)
eu sou o calor
na sua nuca
que faz você
ofegar-se por
entre os lençóis

eu sou só a lembrança mais viva
de um carinho
do abraço exclusivo
do beijo irresistível
entremeando o chá
de vapores aromáticos

e até que mude a
estação
meus olhos estarão
na ponta dos seus dedos
que tateiam seu próprio corpo
sob a neve
do "futon"

veja
já se vê o falhanço
da morte
em querer
nos desjuntar

morte fraca
desmazelada(!)







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