segunda-feira, 3 de abril de 2017

O cheiro do mamão verde

Não fui capaz
de entender
o ser humano
com o seu "vale-tudo"

e tento afastar-me
do mundo globalizado
mas o mundo não é um
metropolitano do qual eu possa
descer numa estação qualquer

e penso na possibilidade
de "viver sem lutar"

pintar quadros
compor sonatas
ou escrever poemas subjetivos
são ações que se assemelham
a este disparate
mas não chegam a ser tão utópicas

mesmo assim eu sei que 
é possível "viver sem lutar"

dia chegará em que 
a moda de Milano será(:)
conseguir um ingresso
para ir morar numa estação espacial

quem não tiver condições
estará fora do esquema
será um fracassado
ficará na Terra 
num planeta lixão
(planeta em frangalhos)

da mesma forma
um dia a ciência dirá
que somos imortais
e que podemos simplesmente
reencarnar através da genética

neste dia o tempo
perderá a batalha
e nenhum exoplaneta
será longe o bastante
que não se possa
executar uma panspermia

e quem disse que não é 
possível fortalecer o nosso DNA
com a resistência do tardígrado
ou de um porco(?)

não obstante
não creio que morrerá
esta semente primitiva
da poesia

não a poesia
como a conhecemos
como instrumento de vaidade
e concorrência

essa literatura que assopra
balões de egos emergentes

eu falo da poesia "chan"
que não chega a Milão

aquela que não depende do dinheiro
a poesia em forma de vida
antiquíssima
e primitiva que diz respeito
ao PRESENTE



////////////////////////////////////recomendado para ilustrar o poema (a legenda não faz falta)

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