domingo, 23 de abril de 2017

o jogo da carne

Já perdi tantas coisas
e agora perdi o azul
do meu céu

mas no jogo da carne
quem começa 
é quem cede a vez
e a palavra

no jogo da carne
ganha quem não quer perder
(a consciência ao dormir)

e perde quem 
levanta o braço
pra bater ou pra pedir

no jogo da carne
a cor do coração
é a cor do vinho

e fica devendo vidas
quem sabe de cor
o poema da morte

no jogo da carne
o que conta são as contas
pagas com o dedilhar
nas contas

do "Japa" de quem canta 
o mantra ou
caminha como um "dervish"
e diante dos átomos
que dançam e criam planetas
se vê perplexo
como quem descobre
a pessoa amada

no jogo da carne quem perde é
aquele que encontra
o seu par e faz de conta
que ele não conta
que não é nada

sendo ele 
a sua meia concha
o rei não há

só o buda
e os "sem sorrisos"
na vanguarda
para os ossos
colecionar

no jogo da carne
nada é eterno
é tudo o contrário
deste lugar




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