sábado, 22 de abril de 2017

olhos de sonhos


Assemelham-se os
meus olhos
a um par de ampulhetas
cuja areia
um sono escoa

e o tempo
que me resta
neste templo
usurpado
não é muito

o tempo que me resta
é brisa morna
do deserto
onde o zênite se traduz
na hesitação do sol
em sondar os abismos

já não encontro mais
um lugar para mim
neste mundo

ah como eu tenho
buscado um oásis
que seja doce como um
amor sonhado

o lugar que procuro
e que nunca encontro
lembra um amor
que mata leões
sem gostar de caçar
que é pantera sem
gostar de predar

o que salmodia
a eternidade
com palavras
efêmeras ou
flores de maio

o lugar que busco
é este amor
cujos olhos
são tristes
por não serem
olhos que ousariam
mudar de cor
e não conhecem outra sina
senão essa que
causa a dor

e quando viaja
o meu inebriante amor
olhando nuvens
também vê tudo que deseja
num cortejo perto das asas
sem poder alcançar

seus sonhos são como nuvens
do algodão mais doce
de uma infância
pronto a desaparecer
ao beijo temerário
ao beijo imaginado
por um adolescente

o lugar que busco neste mundo
e que nunca encontro
talvez esteja no mundo vindouro
como esse amor
qu'eu sonhara tanto

ai meu sagrado Senhor
maestro e criador
do universo azul com lilás
juro que daria
uma delicada flor ao
que me tortura

naturalmente
colhida deste
meu lugar perfeito

ai meu Deus
de Absoluto Querer
dignai-vos vós
que um
tal lugar seja
real

será que a minha face
tende a se parecer com a
hera que se alimenta
desses bilhetes de lamentações (?)

uma mentira
ou um falso poeta
já que comumente
me negam o
direito de ser eu mesmo (?)

acaso posso ser
apenas mais um tijolo
de terracota
a formar muros
criando claustros
sobre minh'alma(?)
não eu não

prefiro que se
escoa a areia das ampulhetas
dos meus olhos suspirosos
já que nunca verei
o sorriso sonhado


que eu durma
na confluência
dos rios
e que eu sonhe
sempre com uma janela de vidro


que dê para o jardim 









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