terça-feira, 4 de abril de 2017

Rei do branco e preto

Quando a  tua
pele fria
lívida e
morta tocou
no meu peito
quente
apaixonado
e untado de lágrimas

até os deuses
mais egoístas
se comoveram

numa vênia
unânime
concederam-te
a ressurreição

eu digo
repleto de
sinceridade

resignei-me
com a minha
sina de urubu
negro e carniceiro

desde que
a alvura
do meu amor
fizesse parte de mim

na alegoria trágica
eu não queria ser pássaro
sem uma das asas

na alegoria
etimológica
eu seria
o urubu rei

aquele cujas
asas possuem
o negro
da maldição da vida
e o branco da
liberdade da alma
(e tu meu amor
eras tal completude)

tua pureza consoladora
irradiava-me paz
em meio ao lixo
do mundo cruel

os céus não sabiam
por que há porões
dentro de mim
onde guardo os meus segredos
cuja chave só eu possuo

mas sem querer
os céus evitaram
talvez o meu suicídio

eis o meu grande erro
eis o erro dos deuses
não seria a cessação
do meu sofrimento
o que me faria Rei

pois com a dor
da tua morte
eu aprenderia
a ser rei de minha
vontade

eu acreditaria
que ela a morte
não tem
e nunca terá
o poder de me
separar de ti
contudo
como se o destino
se tornasse um erro

tu nunca mais
foste a mesma
parecia que
tua alma

não habitava
mais o belo corpo
que te pertencera

duvidei do teu amor
reguei ciúmes
insistia
sofria
sem nada entender

tal indiferença
só termina
na hora de nossa morte

mas eu não culpo
nem os deuses
nem a ti
a culpa é somente minha
por não ter
me tornado
rei da fé no nosso amor eterno
e senhor de meu querer


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