quinta-feira, 20 de abril de 2017

sinais

Ninguém há que
com desplante
encara o vil firmamento

que vem cobrir
no fim da tarde
a Terra que se agacha

que sangra cores
no véu como menino
a brincar

que expulsa sem
piedade os corvos
e abutres do ar

que afaga
a própria crista
até que as trevas
devolvam-lhe o
veneno

eu aqui
tão impotente
não arrisco uma
palavra escrita

versos
gestos ou  meneios
capazes de inferir
o peso da tua tristeza

mas mesmo na dor
deste vazio tu'alma
há de se lembrar das
flores e cores

dos sinais agradáveis
que alimentam
a chama do mito
do amor verdadeiro
e infinito

dos silêncios
que falam
mesmo quando
se calam os
cúmplices

porque se lembrando
destas coisas
haverá matéria para
os sonhos
enquanto
essa noite
obstinar-se

a reinar






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