sábado, 6 de maio de 2017

da liberdade


Sou apenas um
sujeito com Síndrome de Diógenes
que guarda lembranças
sujas e sem jeito

sou um artista
fingindo-se poeta
ou um poeta  encapsulado
no corpo de
um velho artista

meu desejo
é transformar
tudo em arte
ou viver
no mundo
plástico da poesia

coleciono desejos
singulares
mas desejo a pluralidade
dos prazeres

não sou o tipo
de zé que sente
compunção
por agir com compulsão

sou o tipo de mané
que age com
o sentimento e
se arrepende com a razão

em suma
eu sou um cara escalafobético
que não crê no diabo
e tenta não ser diabético

que não paga
dízimo
que nem sequer
usa os dez por cento
da mente

pela manhã eu
como milho verde
com farinha temperada

mas quando estou
nos hotéis finjo
ser um cara perfeitamente
normal

desta feita  eu
como de tudo
dou bom dia
e mantenho
minha cara fechada
(quando dá)

só sinto prazer
quando proporciono
o prazer

qual o corpo
que não quer
ser faca dentro
da bainha

neste aspecto
eu sou
perfeitamente
normal

sou um cara
que sente algo
de bom no coração
quando vê
o rosado de uma aurora
ou quando ouve o galo cantar

hoje eu nada tenho contra o Sol
ora bolas(!)
se o calor está insuportável
por que  você não se molha(?)

eu resolvi que não
quero ser um pinguim
mas o destino
a gente não escolhe
só se escolhe ser LIVRE
ou não

é por isso
que de repente
eu abandono tudo
e leve como um pássaro
se precisar vou-me embora







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