segunda-feira, 29 de maio de 2017

Desgrude


O chão 
é faminto
o chão come
corpos
carros e ossos

ele é o que 
suporta 
absorve a lágrima
o sangue e o suor

e recebe  rastros
sem distinguir
os passos

o chão recebe a 
cruz de Arthur
e a espada do Primaz

cruz e espada se confundem
já que a "Dama do lago"
não morreu em paz

o chão pode ter
a cor do coração
pode no entanto
ser magnético
e ciumento como
o bordô de um fígado

fazendo arquejar
quem no poema
deseja voar

o chão pode ser gomoso
e prejudicar das almas
que se amam o céu
a libertinagem
e gozo

que o chão é faminto
já foi dito
causa comichão
na carcaça
no arcabouço da desgraça

no traço boçal
do riso
ou no grito de um ai

no chão
e no esforço
do bom gosto
desse esboço
meio tosco
da genitália do anjo
a bossa se erguendo
do piso feito pira 

o chão é tão mãe paixão
que merecemos nós
também o exílio
nos fortes braços de um pai





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