domingo, 7 de maio de 2017

o som das sementes


Não serei eu
outro a lhe
julgar

como julgam
o despojamento
dos meus
versos-pensamentos

(já ouço tanto sons
que nunca me
interessaram)

o que me interessa
é essa música
que roreja
dos seus dedos

aquela que
desnuda
o jardim de tantos
funchos
em feixe de
metomínias

o canto que ouço
ecoa na abóboda
de meu crânio

como se toda
a estrutura e
o mecanismo
pensante
fosse só fumaça
de suaves  incensos

como eu poderia
abrir as portas
para todos os
símios que se
acham puros
mas que sujam
rapidamente o
templo (?)

que escavam
meus canteiros

que fazem
adagas dos meus
segredos (?)

não serei
eu aquele
que fala do chá
sem o provar

que navega
sem ao menos
saber flutuar

que esnoba
sem saber
desvendar

ou que deduz
sem banhar-se
em nudez
na luz economizada
sob a minha terra

eu agora quero
ouvir somente
o som de dentro
das mais herméticas
sementes

as que não brotam
aos passos que se
confundem

as que nada captam









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