sábado, 10 de junho de 2017

reação


Tremendamente perdido
neste vasto país
para onde vieram
os sem lei do rei

é assim que me sinto
e sinto que assim o é

o terreiro
tem da pólvora o cheiro
o porco
é o rei
é o rei
do seu chiqueiro

mas nunca dirá
ao se olhar
no espelho da faca
hoje estou lindo
meu amo
vem e mata-me
nas entranhas

só falei isto
para não dizer
que não falei dos porcos

o que eu quero mesmo
é falar de amor
imagina re-viver
o verso
no movimento absoluto
com o tempo morrinhoso
sem ninguém entre nós

e que versos imantados
deveras eu penso (?)

falo dos versos
silvestres
bestiais
entre flores
aromáticas

mas como tu
eu ando triste
triste como a manta
de um crepúsculo

se pelo menos a tampa
do poço
não cobrisse
o branco da tua seca barriga

mas quando
o tempo em seu retardo
traz a candura
ela vem na cor dos
teus versos
centelhando mortos
embalsamando restos

então eu troco as flores
molhadas por beijos
por lambidas
desenfreadas
indecentes
e vadias
como o verbo
apetecer

e algo começa lentamente
a germinar
este teu desânimo
vira monstro

e sou devorado
pelo lobo que
invocara

pelo menos
neste verso de guardanapo
cor de vinho
ardente  sujo e rasgado

este que lançarei às bestas
que habitam
o lado obscuro da lua

foi assim
instintivamente
sem a norma idealizada
do meu condão
que te amei









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