Talvez os frutos da terra
sejam belos
somente para atrair as mãos
mas numa ilha sem mãos
talvez a beleza seja só
a terra a atrair os frutos
.
Talvez os frutos da terra
sejam belos
somente para atrair as mãos
mas numa ilha sem mãos
talvez a beleza seja só
a terra a atrair os frutos
.
Velejei fluentemente
amurado por bombordo/estibordo
hoje estou tão triste
nas mãos brancas do destino
mas Isolda de mãos curativas
não vai voltar a estibordo
de tal modo que
viver tanto não irei
(tenho certeza)
poemas permanecerão
e ventos do oceano
palavras hão de derreter
fora do veleiro
tudo vai ser exatamente assim
como o destino queria
e agora
normalmente há lógica
haverá uma abstração (:)
Freio "ABS" nos dedos
a poesia será traída
daqui em diante
Eu devo (abs)trair
o meu próprio coração
.
O amor pode voar acima das nuvens (rapidamente)
Eu sei que pode
Eu defendo o amor
meu único caminho verdadeiro
porque meu amor é uma obra-prima criada por Deus especialmente para mim
amor criado para os sentimentos mais ternos
poderosos e belos
e a beleza que o amor contém cativa minha alma
como uma pesada fita de renda de fios dourados
Este amor é meu paraíso
minha terra é uma planície de nuvens
seu olhar é meu tesouro e a sua voz é melodiosa
Mas ai de mim (!!!)
As três-parcas-predestinadas-pelo-destino
esqueceram-se de conectar os céus
ao meu lugar de pobreza
estou perdido dentro deste vasto aeroporto
A chuva se recusa a vir para criar o arco-íris
e os relâmpagos não me trazem trovões
nem clarões
Com os clarões
eu escreveria poesia de luz ou de pedras preciosas
Com os relâmpagos
eu cortaria este fio de prata que me dilacera
E através do arco-íris
eu ascenderia à terra dos palácios de portões azuis.
E eu teria uma cópia da chave de Pedro
Com ela
abriria este cadeado cruel em meu pulso
Com ela
abriria seu coração atento como um corvo
Que voa acima das nuvens num tapete mágico
O que eu quero dizer é mais simples (:)
com a chave eu abriria os portões do céu
Eu sempre tive um manto real
esta melancolia o desfigura
esta inação o amassa
De toda essa tralha
o único objeto que me desagrada é a ampulheta
Se nas alturas meu amor se move ao ritmo de um tambor
então aqui na Terra tudo é breve
e a velhice soa para mim a trombeta
Quero que este ano voe (!)
Você me amaria com estes cabelos tão brancos?
.
.
Eu sempre adormecerei antes de você.
"Por quê?"
Porque quero adormecer todas as noites
olhando nos seus olhos.
"Não seja egoísta! Adormeceremos ao mesmo tempo."
.
Eu não me canso
de olhar para o trigal
e ver o amarelo do sol
quando o poder se descortina
é fértil
o amor que sinto
e verdadeiro
o desejo de paz
há sempre uma noite longa
antes de um sublime
amanhecer
as cegonhas por vezes
são expulsas pelos corvos
neerlandeses
eu vou pintar os ovos
com as cores fortes dos girassóis
e aguardar um sinal
que nutra a esperança
pois nem toda cana de junco
pode falar versos do amor verdadeiro
e nem todo ouvido
pode interpretar os gestos
.
Em uma festa no Palácio Real
Eu conheci seis cantos
e o meu quarto
em cada canto
me acusaram de um crime
Eu assumi a culpa
pelos sete crimes
o corpo de Vênus
fora descoberto
e alguém na festa
tinha que ser punido
acusado
preso
torturado
humilhado
julgado e condenado
deveria morrer pelo bico afiado de um corvo
Eu assumi o crime
mas pedi misericórdia
com os olhos vendados
Fui levado para o jardim
Estava nevando
e eu senti que estava
rodeado por leões
Não sei quanto tempo
ouvi o som furioso
Eu não poderia saber
mas embora eu sentisse
o calor e o hálito
esses leões não me devoraram
fui conduzido
e depois do cheiro e urro dos leões
ouvi o barulho de uma fonte
minha bandagem fora removida
e vi um anjo em roupas na cor do céu
quando ele se movimentava
pó de ouro brilhava como estrelas em seu corpo
este sorriu para mim
e começou a ler a frase
"dimisit
veniae
pax"
enormes portões do palácio
foram-me abertos
fora dos pórticos
após a chuva forte
havia uma colina com grama
tão verde
tão verde
que meus olhos não podiam acreditar
o anjo me fez uma surpresa
Eu percebi que havia um peso dentro da bolsa
Eu olhei e vi uma pedra redonda preta
o anjo olhou para mim e sorriu novamente
e mostrou-me uma carta antiga
com selo Real
com um beijo e um coração
esta carta dizia
"Não vou escolher
mas eu estarei com você
até a eternidade"
imensamente feliz
sem saber nem como agradecer
eu arranquei uma flor do chão
a única flor preservada
dos cascos dos cavalos
e eu ofereci ao anjo
Logo me arrependi
e timidamente
eu quis sair do castelo
mas
ao longe num fundo vermelho
o rei gritou
com uma voz forte e profunda
"colocai a flor nos cabelos
de minha filha
não sejais tolo!"
Aquela voz eu não ousaria desobedecer
ternamente e tremendo de medo
Eu coloquei a flor branca na orelha da linda moça
e notei que havia uma tiara de ouro e diamantes
mas o que eu pude de fato contemplar
foram os olhos e o sorriso
eles brilhavam tanto rorejando lágrimas
mas eu chorava muito mais
o anjo parecia feliz
com a flor
mas estava ainda mais iluminado
quando ele enfiou o pergaminho da promessa
na minha bolsa
Subitamente eu corri montanha abaixo
entre pássaros brilhantes
Fui direto para o rio
Notei que uma nuvem branca
escondeu celeremente o palácio para sempre
talvez ele fosse só um
Sonho ou fantasia
mas eu tinha provas
embora não houvesse ninguém com quem falar
Eu guardava uma carta com um beijo
e um coração vermelho
naturalmente o que importava
era o calor que estava em meu coração agora
Nunca mais precisei procurar tesouros perdidos
todos criam em minha insanidade
porque mesmo com roupas despojadas de camponês
eu sorria entre os animais
ou conversava sozinho
perto da roda d'água de madeira
.