Há verbos que não
se deve inventar
há ventos que não
se deve ver
há tabuleiros
que não são lúdicos
chega um tempo
em que o amor
é um espaço azul
mais vegano do que pele
o mistério do véu
é a alma
o corpo é um mistério
para o olhar que busca
(o verdadeiro amor)
o rei era o palhaço
o bufão era o rei
a criança só via
o que era "Real"
uma formiga
entre milhares de clones
afirmava ser diferente
feliz ou infeliz
mas também entrou
pelo ralo
pra ser demônio
eu só preciso do nimbo
pra ser anjo só me falta o rabo
água dura é pedra de gelo
água mole é água mesmo
as coisas são assim
quem ri se diverte
chorar só inverte
ele ria de si na frente do espelho
o espelho sem graça
duplicava a alegria
(e ambos se relaxavam)
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