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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

O poema da noite

  


 

Uma torneira que pinga na madrugada 
pode soar como um tiroteio nas ruas
um quarto absolutamente escuro
 
nos tira o norte

 


alguém que domina a fala ou o canto
 
pode manipular vontades alheias

 


o silêncio externo
 
não garante o silêncio do pensamento

 


as decisões não  tomadas
 
agirão como despertadores
a mente ajuda
 
quando não atrapalha

 


o poema nasceu para buscar seu final
o tempo tem três rostos
O poema da noite
não terá luar
nem o do dia
há de ter um sol

 


O Buda do meu jardim
não estará sentado
nem o Cristo do meu quarto
terá uma cruz

aliás
não haverá cristos
nem budas
nem astros

é provável
que nem o céu
do poema
seja azul

araras não terão telas
nem essas cachoeiras 
terão as metálicas passarelas

tudo será como o arrebol
indefeso
infantil 
sem lobos bons
sem muitas "felicidades"
sem muita gente
sem coelhos maus




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